Recife é a capital do Brasil onde mais se brinca carnaval, diz pesquisa

  • 02/04/2025
(Foto: Reprodução)
Segundo o levantamento 'Cultura nas Capitais', encomendada pelo Ministério da Cultura, 71% das pessoas que foram a festas populares, participaram de desfiles e blocos de carnaval. Salvador ficou em 2º lugar, com 63% de participação. O pesquisador João Leiva explicou como a pesquisa 'Cultura nas capitais' pode influenciar investimentos em políticas públicas para a área de cultura O Recife é capital brasileira onde mais se brinca o carnaval. A revelação foi feita pela pesquisa "Cultura nas Capitais", encomendada pelo Ministério da Cultura e divulgada nesta quinta-feira (2). O levantamento perguntou a 600 pessoas no Recife quais foram as atividades culturais que elas participaram ou realizaram ao menos uma vez nos últimos 12 meses. Na cidade, 71% das pessoas que afirmaram frequentar festas populares disseram que participaram de desfiles e blocos de carnaval. A cidade de Salvador ficou em segundo lugar neste ranking, com 63% de participação em atividades relacionadas à Festa de Momo. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A cidade de Belo Horizonte alcançou a terceira posição, com 62% de participação nas festas carnavalescas. Confira as cidades com maior percentual de participação no carnaval, segundo o levantamento: Recife - 71% Salvador - 63% Belo Horizonte - 62% Maceió e João Pessoa - 58% Rio de Janeiro - 57% Segundo o pesquisador João Leiva, diretor da JLeiva Cultura & Esporte - que elaborou o estudo, a participação dos moradores do Recife nas festas populares e no carnaval, de forma específica, está relacionada à ligação da população com as tradições locais. "As festas de São João lideraram a participação das pessoas em todas as cidades pesquisadas, mas no Recife o acesso a blocos e desfiles de carnaval foi o maior de todas as capitais. O Recife tem um carnaval forte, que mobiliza as pessoas. Outro fator importante é a descentralização das atrações. O fato de acontecer em vários lugares da cidade permite a participação de diversos públicos também”, explicou João Leiva, em entrevista ao g1. O pesquisador chamou a atenção também para a grande participação do cinema como opção de cultura usufruída por quem mora na capital pernambucana. Dos entrevistados, 46% disseram que ter acesso a assistir aos filmes nos cinemas. “Foi o percentual mais alto entre as capitais do Nordeste. A nossa percepção é que o fato de ter um festival famoso e consolidado, e uma produção local importante, com filmes e diretores premiados, podem ter contribuído para o resultado”, falou João Leiva. Maracatu desfila nas ruas do Recife Antigo na terça-feira de carnaval (arquivo). Léo Caldas/g1 Brega é o ritmo mais ouvido Apesar de ter muito em comum com o restante do país em relação aos temas das músicas mais tocadas, as playlists dos recifenses não têm o sertanejo no topo. Na capital pernambucana, as letras sobre relacionamentos desfeitos, traições, farras e canções românticas tocam em ritmo de brega - gênero que lidera a preferência das pessoas entrevistadas pela pesquisa "Cultura nas Capitais". De acordo com o estudo, os ritmos musicais mais consumidos no Recife foram: Brega (incluindo brega-funk): 33% MPB: 30% Gospel: 24% Pagode: 20% Forró: 18% Sertanejo: 15% Rock: 14% Pop: 13% Romântica: 9% Internacional: 8% Para elaborar a estatística, o estudo perguntou aos entrevistados qual estilo ou tipo de música que mais ouviam em primeiro, segundo e terceiro lugar, sem citar alternativas. O resultado considerou as três respostas indicadas pelo público. Em relação ao sertanejo, o ritmo ficou na sexta posição entre os entrevistados no Recife, sendo consumido por 15% do público ouvido pelo estudo. O resultado foge da média nacional, onde o gênero musical foi indicado como um dos três estilos mais ouvidos por 34% dos entrevistados. Preferência pela cultura local Priscila Senna, Raphaela Santos e Sheldon Ferrer são alguns dos artistas da cena de brega do Recife (arquivo). Arte/g1 Para o professor e pesquisador do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Thiago Soares, o sertanejo, consumido pela maior parte dos brasileiros, e o brega, ouvido massivamente pelos recifenses, compartilham muitas semelhanças estéticas, mas historicamente a cidade tende a priorizar a produção cultural local. “São músicas românticas, que falam de dor de cotovelo, de separação, de amor… Tem essa coisa também das mulheres cantando, aquela ideia das patroas, as mulheres empoderadas. No brega, você também vai ter esse perfil”, contextualizou o pesquisador, em entrevista ao g1. Segundo Thiago Soares, existem dois principais fatores que explicam a forte presença do brega no cotidiano recifense: o primeiro é o estímulo, através do poder público, do reconhecimento e do consumo de ritmos locais, especialmente durante o carnaval. “Se a gente só olhar historicamente, o Recife tem um consumo de produção cultural, sobretudo na música, voltado para artistas locais. Eu localizaria, por exemplo, o Manguebeat, lá nos anos 1990, como um primeiro movimento de valorização dessa música [produzida em Pernambuco] no âmbito midiático”, explicou o professor. O segundo fator para o destaque para o brega enquanto gênero mais ouvido pelos que responderam à pesquisa "Cultura nas capitais", segundo Thiago Soares, foi a lei estadual nº 16.044, de 2017, que reconheceu oficialmente o brega como expressão cultural pernambucana ajudou na consolidação de um circuito de divulgação do gênero musical. O professor acrescentou que a cadeia produtiva do brega no Recife é consolidada e reúne artistas, produtores, empresários, contratantes e consumidores. O próprio subgênero brega-funk demonstra, para o pesquisador, que o brega segue como um ritmo vivo capaz de se transformar. “A gente tem um circuito cultural muito forte aqui, com casas de shows, produtoras de videoclipes, produtores musicais, que fazem o brega estar constantemente na cultura da noite aqui de Pernambuco. [...] O brega-funk é uma espécie de ‘jovialização’ do brega, tudo isso faz parte”, contextualizou o pesquisador da UFPE. Consumo de cultura no Recife Acesso a atividades culturais no Recife JLeiva Cultura & Esporte/Reprodução O levantamento elaborado pela JLeiva Cultura & Esporte perguntou a 600 pessoas no Recife quais foram as atividades culturais que elas participaram ou realizaram ao menos uma vez nos últimos 12 meses. O resultado mostrou que 56% dos recifenses leram algum livro no intervalo de um ano, sendo a atividade cultural mais realizada na capital pernambucana no período. Confira as atividades culturais mais realizadas no Recife, segundo a pesquisa: Leitura/Livros: 56% Jogos eletrônicos: 53% Cinema: 46% Locais históricos: 45% Festas populares: 43% Shows de música: 42% Dança: 25% Museus: 19% Biblioteca: 19% Feiras do livro: 18% Além de conferir como os recifenses consumiram cultura, o levantamento também perguntou foram as atividades culturais que os entrevistados nunca tinham realizado. O resultado mostrou que mais de 70% das pessoas nunca tinham ido a concertos (75%) e saraus (72%). Feiras do livro (48%), espetáculos de dança (41%), teatro (39%), museus (36%), jogos eletrônicos (32%) e circo (31%) completaram as atividades nunca realizadas pelas pessoas entrevistadas. Dificuldade de acesso a cultura A apresentação da pesquisa “Cultura nas Capitais” aconteceu nesta quarta-feira (2), durante seminário realizado no Teatro Hermilo Borba, no Centro do Recife, com a presença de autoridades, estudiosos e artistas. Durante o evento, a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale, pontuou que mesmo com uma diversidade de equipamentos culturais públicos gratuitos e acessíveis à população, como museus, existe uma dificuldade de ampliar o público que frequenta esses espaços. "A gente tem muitos museus, mas a gente precisa incentivar e criar público para participar mais dessas coisas. [...] Tem os festivais, tem as festas populares, mas a gente sabe que tem muito do mesmo público. Precisamos criar novos públicos, fazer com que as pessoas vão mais ao teatro, frequentem mais o cinema, participem mais das danças", pontuou a secretária. Em relação ao território da cidade, o espaço mais citado entre os entrevistado foi a Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife. O segundo lugar com mais menções diretas foi o "Recife Antigo", como popularmente é chamada toda a região turística do Bairro do Recife. Pesquisa ' Cultura nas Capitais" foi apresentada em seminário no Teatro Hermilo Borba, no Centro do Recife Iris Costa/g1 VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2025/04/02/recife-e-a-capital-do-brasil-onde-mais-se-brinca-carnaval-diz-pesquisa.ghtml


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